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Olhar Pericioso


Com a perícia no olhar
Fito de longe a moça,
Aproxima-se de mim encanto
E me deixa assim meloso


Só preciso ter nos braços
Seu belo corpo sinuoso
Enquanto o sorriso guardo
Bem trancado no sonho,
Que tenho logo ao te ver


Ela faz carinho, paquera
Acerta-me seu olhar perigoso
Impossível não aceitar
Quando nosso coração
É feito da mesma matéria


De longe, um abajur nos cobre
A pouca luz desvanecente
Apaga a gente aos poucos
Lenha a vida de nossos corpos
Leva o tempo de repente
Enquanto o ar queima
E deixa toda carne quente.


Inquieto de males e ânsias
Somente existo nas nuvens
Do lençol que compartilhamos
Enrola-se entre nós, descobre a gente
Desnuda, completamente, o colchão


Só me resta passar as noites
Com olhar pericioso
Vendo você no repouso
Abraços do meu lar.


"Crica do céu" me guarde
No peito, mas me aguarda
Também, no cheiro, no sabor


Pois é essa peculiar iguaria
Capaz de mover-me de dia
Para a noite te encontrar,
"Qualquer ar doaria,
Qualquer preço valia,
Perco
todo
fôlego,
corro,
sem res-
[...]

"amo seu beijo."



unknown author

Quero sono de manhã

Procurando respostas onde muitos já acharam (Wall-E)

Eu, dessa vez Eu lírico,
desapareci ontem na noite.
Espera-se que tal soturno me açoite,
porém fui de todo modo empírico
quando no impulso do escuro
tornei a mim, o primeiro onírico.


Não se desespere, pois tu entenderás!
Desde então desapareci mais vezes...
Quando endiabrado com o futuro,
nos galhos das árvores perdurava
Passava a noite olhando o céu,
para alguns, sonhava.

Insisto Vão

Espero nas severas
margens da realidade
Que expectativas sinceras
Transformem-se em felicidade

Esta garantida,

pré ao meus pés
Sempre ao chão
Que não fantasio relés
Sonhos de verão

Ainda esperançosa

Consciência minha,
Ingênua valente
Acha-se que vinha,
a um devaneio contente

Diálogos de um moribundo recém-nascido

"Estou morrendo, é verdade.
Não da gripe que me assola,
diga-se de passagem."
"Mas quem clama por mim além de vós?
Ó colchão,
Ó sofá!"
"Deite e espere..." Ela sussurra.
Novamente a Enfermidade leu minha mão.
"Estou morrendo..."

Alguém me cobra novidades,

eis que respondo:
"Nenhum avanço por aqui, capitão!"
"Parece que não haverá nenhum,
de qualquer forma."
"Mas... Eu estou esperando!"


Pupilas Instáveis

“Ó, belezura!”
Canta meus lábios patéticos.
A beleza de volta urra:
“Não tarde me encarando, retardado!”

Tento desviar o olhar,
mas seus belos mandalas,
azuis pálidos como o ártico,
empalam lanças opalas
no meu corpo estático

Ali petrificado, jazia eu.
Inerte, fascinado,
Aviso-a que sou seu.


Vela aos Sais

No corte salgado de água e bruma
O rum mágico derrama e ruma,
Um navio pirata além da sorte
Onde venta a bandeira da morte.

Sussurros de liberdade ecoam a proa
Ó bela sereia que a frente coroa!
Posta ao canto sombrio dos canhoneios
Respinga lágrimas da cauda aos seios

Ante a quilha perder o beijo do mar,
O guardião fantasma martela o lar,
Nas tristes noites de mortal tormenta.

Às profundezas da saga violenta
Vossa aura de ouro raia as águas planas
E aos arqueios vela a Vingança da Rainha Ana


Soneto escrito a partir de sonhos que me seguem desde a infância.

Ansiedade

O que vinha dela,
era ouro natural,
Sentimental,
de valor não estimado.
Sentia-se pobre pelo que tinha,
Como poderia retribuir
Com alma, tempo e vento?
Não sabia bem de onde tiraria
Queria dar sol, estrela, vida.
Tudo no mesmo momento
"Diga-me por favor, princesa!
Quer de mim mundo?
Perseguirei fundo
E de concha em concha
Encontrarei pra ti
A mais bela pérola de Netuno!"
Ela deitada no peito,
escutava o coração
"Não quero mais nada, amor
Vamos só ficar aqui no colchão
desviando do ventilador"

Mar Ciano (Poesia)

A noite saudou a estrela da manhã
A inconsciência finalizou num instante
Sua mácula de ignorância restante
E despertou-lhe uma sabedoria anciã.

Despejando os sentidos nas ondas
Seu pulmão de ar se privou
Valente para um perduro finito
No tempo que Poseidon lhe emprestou

Na vagues das correntes cristalinas
Vi o temor de meu pai ser afogado
Para as distantes profundezas salinas
Onde nosso sustento era pescado


Movimentos no Subúrbio

Pesado nos olhos, quão leve é meu Afro?
Com o mais opressivo alto-falante
Discursando do ombro a poesia restante,
vibração intensa da raíz, hino essencial,
Vem do asfalto, da terra, das ruas,
mas que física, a batida é verbal.
Sai daqui, de dentro; do ombro,
as palavra mais puras.

É rap, é rua.
Devagar, manso, puxando o peso humano,
os joelhos dos meus irmãos alavancam o ritmo
Ondas precisas de movimento legitimo

Essência Escrita

Caro poeta,
Da tua marca eu entendo bem
Após ver sua genética exposta em versos
E ao raptar a raiz de sua mente,
Sei qual artefato tu jogas no céu;

Se é um simples e profundo amor,
Se é uma cativante piada,
Se,
tristemente,
é um registo descompromissado.

Tenho um vislumbro aberto
das estrias de tua personalidade,
Do rastro de tuas marchas,
Do esmero de tua mente,
Como um rio nevoado

Todavia,
Se tu fazes por paixão,
Não te preocupes com os olhares sóbrios
Eles não entendem nossa essência,
Nem como a tinta descansa sutilmente
Da alma para o papel.

Fato é:
De sua identidade não preciso
Nem de conversas fúteis
Pois a tua idéia está no relento
E eu a sinto como sangue
Que ao meu olhar alado,
Sempre será compatível

Odisséia

Quando o vento passa
Você só me traz penas
Meros farelos de asas
Que ao serem coladas
Rescindem em centenas
Brilhando como brasas

O lar não me ajuda a sair
Meus pés agarram o chão
Impedindo a cabeça de cair
E cortar o ar como um arpão

Jogo fora a terra avulsa
Para o caminho sem rota
E acolho a simpatia
Das que sujam minha bota
Será que chego a ter ver
Ou a odisseia vai me deter?

O porto define o curso
Pelas docas até a taberna
Onde um capitão pirata
Espera sentado a baderna

Com meu tambor sai de casa
E com ele comprei passagem
De navio para outra galáxia

Rum mágico que ruma
Minha trilha para sorte
Num corte entre água e bruma
Navego a bandeira da morte

Paralelo aos astros
Na fronteira final
Guio-me pelas luzes
Da aurora boreal.

Até o infinito azul
A espada abastece a carga
Ao aportar em terra firme
A despedida é amarga

O solo se esconde na sola
Em direção da rosa
Sem rumo nos ventos
O amor inspira a prosa
Compondo lamentos

No escuro,
A fogueira é acesa
Deixando a noite clara
Sonharei versos românticos,
Para a moça deitada em flores
Coberta de seda dourada
No fascinante abrigo de cores.

Sobre o repouso de folhas
Armado num abraço
Aprofundo minhas escolhas
Escuras no espaço

Acendendo na manhã
Os raios da aurora amante
Inundam a névoa hortelã
É seu o turno flamejante
Contra a sombra tecelã

Pelo vazio de vales
Até o recanto alpino
Eu evito os males
Das nuvens do destino

A luz rasga o céu
E expurga a neblina
Branca como véu
O mistério se ilumina,
A cachoeira é revelada
Banhando como pincel
Uma mulher divina

Olhando-a banhar-se ao vento
Admiro num passivo fascínio
Suas curvas definirem o relento
Na luz prateada de alumínio

Um leque de água cruza o ar
A simples virada adverte
Suas gotas precipitam a luz
E o êxtase deixa-me inerte

O charme da deusa
Cintila à luz prateada
Chamando-me às ondas
Pela fonte esverdeada
Nas profundezas do delírio
Mergulho rumo ao convite
Até a queda da cachoeira
Para os braços de Afrodite.

Atraía toda atenção

Contra a bela arte
A moldura vaidosa
Briga pela pompa
Se achando formosa

Elogio ou morte
Até o cupim escalar
Esperando ele sofre
A atenção chegar

O prego escondido perdura
Prende a beleza e segura,
Sem sair da postura,
A ladra de atenção

O grito ecoa no saguão
A bela arte ri de pena
Saliva para a câmera
Sua graça obscena

O amor é aprisionado
Na madeira da moldura
Ele não alcança sua amante
O vidro claro é ignorado
transparente na estante

Todavia,
Um beijo foi dado
Na manhã do encaixe
No amor errado
brilhante era o vidro
Falsa era sua luz

Escorada na janela
A inocente pintura secava
Durante sua sentinela
Um rapaz triste admirava

O triste rapaz ficou feliz
A obra posta à vista
Pela pobre artista
Foi vendida sem dó

A arte ostentava inocência
Memórias de infância
Da pobre menina artista
Que após secar a tinta
A deixou só

Protegida pelo amor
A arte atraía atenção
E presa pela inveja
Ela atraía toda atenção

Luz Azul

Desde que cheguei aqui estamos jogando por moedas antigas
Meu copo está brilhando e o uísque não parece mais tão marrom.

Vem, chega junto.
Esses raios são suaves
Iluminam a fumaça no teto
Transformam o fluido cinza que sai da mangueira em luz azul
Em luz azul
Eles apontam para meu copo e então eu posso ver claramente,
Quatro pedaços azuis de gelo gracejando sobre a música ruim do vizinho
Conspirando e girando, como numa ciranda, tão azul e tão infantil.

Vem, chega junto.
Esses raios são suaves
Eles nunca planejaram mover-nos aparte
Mas a hora está chegando
e os bêbados mal podem esperar pelas suas casas,
Para desligarem as luzes e dormirem com Sinatra ninando-os
Eu os assisto enquanto formulo uma piada épica
Parecem felizes. Azuis e felizes.
Deitam-se jogados no sofá e balançam a cabeça com o ritmo da batida
Até meu último conto, eu nunca vou me esquecer dos heróis principais
Os heróis azuis e loucos.

Vem, chega junto.
Entre uma rodada de brindes a luz traz o armistício
Ilumina o nosso conselho azul, o circulo mágico de sofás
Tão perto e tão brilhante, a malandra luz azul.
A lâmpada chama por ela.
Levando a filha para a barriga, quase posso ouvi-la resmungar

O canto da sala não parece mais tão sombrio
Amigos e bebidas se chocam e comemoram
Brindando a vida, a música, o gelo,
E acima de tudo, a luz azul.
Brindam a luz azul.

Espelho

Sei bem de onde vim,
embora já não seja mais o mesmo
Agora só posso imaginar para onde vou
E lembrar de tudo, além do fim

Sou humano, e por isso sinto
Percebo as mudanças
As pessoas estarão indo
E colidindo nas andanças

Todo tempo eu lembro
Do que eu fui,
Todo tempo eu imagino
Pra onde vou
Descubro o tempo todo
uma nova maneira de ser
transcendental.

Por lágrimas, Por Pedras

No fim permaneço constante
como pássaro, como espirito
sem folego, eterno
De vida, abundante

Arriado nas pedras, percebo
Só me desgasto nas ondas
Até me tornar praia

Sofrimento, terreno
Na areia, terrível
Então da Terra, fujo

Volto ao mar por abrigo,
meus olhos, sinto
gotas formando a imensidão
Mais uma vez único, sei
Ali não serei grão

Sem história, sem paródia

Não me arrisco por ninguém.
Não tomo nenhuma iniciativa.
Não atuo em nenhum momento.
Não revido nenhuma ofensiva.
Não espero nenhum apoio.
Tudo se resume ao nada, e o nada é inútil.
Para não provocar o Azar, sempre permaneço… Parado.

Existo sem perceber.
Surjo após o descanso eterno.
Depois da infinidade me uno ao caos.
Meu esforço é imaterial.
Sentenciado a uma vida sem reação, o tempo me eteriza.
No marasmo da existência desejar é egoísmo.
A inconsciência finaliza minha ignorância imatura
E desperta minha sabedoria anciã.

Para o sedentário o réquiem se torna adágio.
Alguns chamam o destino de sábio, outros, de razão maior.
Eu, com um ideal boêmio do fim, o chamo de tédio.

Psico-engate

O encarte da arte,
que abominável parte,
apunhalando as ideias
e persistindo no empate.
Vendado na pior cena,
escravo digno de pena.
Meu corpo jaz aqui,
Mas minha consciência está em Marte.
Alienação obscena,
aniquilação serena.
Conflitos infinitos.
Ego em combate.
Sonhando com o exit,
estagnado no start.

Empresário caipora

Declare a liberdade, aristocrata!
Bolero não chama chuva e a coluna não faz curva.
Seu dia-a-dia frenético judia seu cérebro caquético.
Tire essa gravata estranguladora e tome matte leão,
todo esse petróleo só te leva a abaixo do chão.
Saia do prédio e venha para o bosque,
colher cogumelos e assar marshmallows.
Não se desespere,
aquele jovem ancião com vinho barato
é erudito em preparar um lagarto.
Junte-se a trupe para badernar o pacato
Esqueça toda tralha!
Só lembre da toalha,
da rede
e do chapéu de palha.
Antes um fidalgo elegante,
agora um eremita errante.